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americo de araujo
09-05-10
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vontade de voltar ao paraiso
estive en algodoal,,um carnaval antes de ter iluminação publica,, naquela epoca era maravilhoso não sei hoje en dia,,pretendo voltar na ferias de julho desse ano,,,estou ancioso,,,,deveria ter no site tbm pousadas não tão caras,,pq so colocam as de elite???????
abraçosssssss
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antonio carlos souza oliveira
29-01-10
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Algodoal Paraiso ou realidade?
Algodoal, paraíso ou realidade?
Sair de carro de Belém (ou chegar) é muito estressante. Aí vem o questionamento, vale a pena sair? Se for para Algodoal vale, quantas vezes forem necessárias.
A BR 316, pista dupla, fica tranqüila depois de passar os 30 min necessários para percorrer 10Km até o trevo de Ananindeua. A partir daí é tudo tranqüilo, vamos em linha reta até Castanhal, que tem um Distrito Industrial muito organizado, onde entramos à esquerda na sinaleira que “fica na esquina do pão de queijo”, com destino a Marudá.
Seguimos em frente até uma bifurcação onde tem um posto de gasolina Petrobrás e entramos à direita e então é só seguir em frente. No meio do caminho várias surpresas:
“Banhados” (balneários) de todos os tipos, bem organizados, bem estruturados, rústicos, privados, sem donos, o importante é que são rios, igarapés ou lagos de águas limpíssimas onde o povo (famílias ou não) busca se refrescar do calor danado que impera na região;
Casa em um sítio, toda pintada de lilás;
Fazendas bem organizadas onde os donos ou peões param ao final do dia sob uma árvore para prosear, comer churrasco e beber cerveja;
Um Bouganvillie vermelho em frente a uma casa azul celeste, que chama atenção pela beleza e;
Muitas placas de “vende-se chopp” mas não se espantem, o chopp é o geladinho, sacolé, dindim ou outro qualquer nome nesse país continental.
Antes de chegar em Marudá existem várias entradas à esquerda em estrada de chão que levam a praias e somente uma delas é asfaltada, a que leva até Crispim, praia onde tem muito peixe e é bonita, ainda rústica. Mas como o objetivo é Algodoal, seguimos em frente até Marudá. Em Marudá entramos a direita na rua da “caixa-d’água”, fomos até ao final, e chegamos no píer das barcas para Algodoal (R$5,50 por pessoa). Essa região é conhecida por Alegre e existem vários estacionamentos onde se pode deixar o carro (a diária é R$5,00) procuramos um que tem arvores e estacionamos na sombra.
Quando forem fiquem atentos na hora de saída das barcas, são 30 ou 40m até o paraíso, ou melhor, Algodoal. No caminho pode haver alguma “maresia” (sacolejo no mar), não é sempre que acontece, mas não é nada que não compense passar.
Esse foi o nosso caminho, eu e Yara chegamos às 11:00h e a barca só saia à “meia hora”, não, não saia às 11:30h, mas às 12:30h. Da mesma forma que meia noite é Zero hora, Meio-dia também é considerado Zero-hora e meio dia e meia é só Meia hora para os nativos. Compramos os bilhetes e saímos de carro até a praia de Marudá para comer uma casquinha de caranguejo, pois pretendíamos almoçar em Algodoal.
Na travessia conhecemos os outros três passageiros do barco: Cícero e sua esposa Mariângela e a esposa do Aderson que trabalha na Pousada Estrela Sol. Nós só levamos a referencia de duas pousadas, coincidentemente a Estrela Sol, no centro da cidade, e a Força Divina que fica em outro lugarejo da ilha, chamado Fortalezinha à uma hora de caminhada do píer em Algodoal.
Durante o trajeto, aquele dia era o dia da maresia, por dez minutos o barco jogou um pouco e a Mariângela enjoou, mas não muito, e as mulheres, muito mais previdentes que os homens, colocaram os salva-vidas por medida de segurança. Eu e Cícero nem esquentamos com isso.
A descida em Algodoal foi celebrada com uma imagem surreal, várias carroças se colocavam na frente do píer e os carroceiros vinham vender os seus serviços (não há carro na ilha). O trajeto até qualquer pousada do vilarejo custa R$5,00. Olhamos as carroças e desconfiados “escolhemos” um carroceiro que tinha jeito de ser mais experiente, com cara de pai de família, embora com um bronzeado de fazer inveja e óculos de surfista. Acertamos na “escolha” mas depois percebemos que qualquer um seria uma boa escolha. Todos são educados, preocupados e atenciosos. O “nosso” foi o Manoel, com a sua carroça Dom Manoel e seu cavalo Flash, que nos falou de todas as pousadas e se comprometeu a passar naquelas que quiséssemos e voltaria para aquela que fosse a escolhida, pelo mesmo preço.
Escolhemos a Pousada Boiador. O nosso apartamento ficava no segundo andar, todo em madeira, com ar, tv, banheiro privativo, varanda e vista permanente para o mar. As instalações são simples, mas o impacto visual foi muito bom. A maré estava baixa e podíamos ver poças d’água, bancos de areia branquíssimas, pequenos trechos de arrecifes, onde os guarás e garçotas mariscavam tranqüilamente e algumas carroças passeavam pelas areias alvas que recebiam a espuma do mar que se “encostava” no céu azul.
O Cícero e a esposa ficaram em uma pousada próxima da nossa, a Marhesia, muito bonita, mais sofisticada e de muito bom gosto.
Estávamos com fome e fomos almoçar em outra pousada, onde disseram que o almoço era bom. Não vimos nada de especial, mas não era ruim. Encontramos, por coincidência o Cícero e a esposa, que falaram que o restaurante da pousada deles era muito bom, com especialidade em massas. Ficamos de jantar lá.
Voltamos para a pousada, botamos roupa de praia e fomos andar. Vimos passar uma carroça na praia e chamamos. Era o Manoel, que nos levou até a praia da Princesinha, na ponta da ilha, por onde passamos por vários bares e de cada um existia uma história, como a do Argentino que largou tudo, vendeu tudo e só levou o cachorro e a mulher e montaram o bar. Quando voltávamos, vimos o efeito do vento sobre a areia finíssima: ele cria um véu suave e encantador que dá a impressão que estamos andando sobre as nuvens e o mais impressionante, a areia não machuca e não se eleva há mais de 10cm do solo. Só vendo e sentindo.
O Manoel falou que chegou na ilha com 12 anos, hoje tem 04 filhos, 01 deles estuda em Belém, mas volta todo fim de semana para trabalhar na outra carroça que eles tem. Ele não troca a ilha por nada.
Quando voltamos para a pousada, pela praia, estava começando o pôr-do-sol. Simplesmente maravilhoso, visto da janela do nosso apartamento, por entre folhas de coqueiros, foi um presente.
Saímos a noite para jantar, fomos à pousada onde estava o Cícero. Conhecemos os donos. Casal muito simpático, ela uma gaúcha que se apaixonou pelo local e ele um artista plástico que adotou Algodoal como sua casa. Tomamos um vinho de colônia gaúcho. O sabor dos pratos era muito bom. Valeu a indicação.
Domingo, pensamos em voltar no barco das 10:30h, pois Yara teve febre a noite, por conta da gripe, mas ela melhorou e quis ficar. A maré estava cheia, então não dava para atravessar para a areia da praia da Princesinha, na frente da pousada, foi necessário andar 300m até ao fim da rua, onde no canal da Princesinha, várias canoas fazem “ponto” para garantir a travessia. Custa R$1,00. Do outro lado ou se anda pelas areias ou se pega alguma carroça. Dessa vez fomos andando.
Levamos uma hora e dez minutos para ir e voltar. Na volta conversamos com o “nosso” canoeiro, o Dinho, gente muito boa, uma mistura de pescador, contador de lendas, profundo conhecedor da natureza humana, conhecedor de marketing, preocupado com a natureza e o bem estar das pessoas, principalmente os mais necessitados e isso tudo sem perder a simplicidade, hospitalidade e camaradagem.
Acertamos com ele um passeio de canoa pelo “furo”, de “uma hora de tempo”, expressão usada para diferenciar das 13h (R$15,00 a R$20,00). O passeio foi muito bom, acabou sendo de uma hora e meia. O Dinho nos falou da lenda Princesinha, que aparecia para as pessoas que ficavam nas “horas mortas” (qualquer hora cheia, ex: 10h; 11h, etc.) na beira do lago da Princesinha e que ninguém podia levar nada do lago, nem um pedaço de pau, senão passava mal. Ele nos contou sobre dois outros passeios, mas que cada um levaria o dia inteiro e seria feito no barco a motor dele. Um seria navegando nesse mesmo “furo” até o “Furo do Pau”, do outro lado da ilha, onde deveríamos levar água ou quaisquer bebidas, a comida e o tira gosto seria providenciado por nós com a tarrafa que ele levaria. Passaríamos o dia navegando, pescando, dormindo em rede, nadando e pensando na vida boa que às vezes nem sequer pensamos que pode ser vivida. No outro seria um passeio até Fortalezinha.
Dinho nos mostrou várias árvores onde guarás estavam aninhados, fotografamos muitos e até em pleno vôo. Vimos gaviões e um peixe que viver próximo das margens e tem 04 olhos. Ele nos contou a lenda que o peixe foi enganado pela pescada que queria ver o fundo do mar e pediu emprestado o peso que o peixe tinha na cabeça e que o fazia afundar. O peixe com pena emprestou, com a promessa que o retorno seria rápido e até hoje ela não voltou para devolver.
O passeio foi até onde se encontravam os dois furos, o da Princesinha e o do Pau. Como as direções dos dois são contrárias, nesse encontro forma um vórtice permanente.
Durante o percurso o Dinho nos falou que o Ibama determinou que os carroceiros recolhessem todos os dejetos dos cavalos, pois antes viviam empestiando as ruas, sob pena de proibir os cavalos e autorizarem a exploração do local por bugres, o que afastaria os nativos do seu ganha pão. Imediatamente todos cumpriram a determinação. Não se vê um cocô de cavalo em toda a vila, cada carroça tem uma bandeja escondida sob o assoalho, onde o animal faz as necessidades.
Dinho comentou sobre as regras da Associação dos Canoeiros e vimos que muitas empresas não têm as estrutura e a consciência que eles têm. Algo que chamou a nossa atenção é que eles definiram em seu estatuto que seja qual for o movimento do domingo, de segunda a sexta-feira, às 6:30h uma equipe, definida em plantão, deve se colocar na beira do furo para fazerem a travessia das crianças que vão para a escola. Ninguém paga nada, nem a prefeitura, mas todos têm a obrigação, sob pena de multa e cassação de dia de trabalho, de fazer essa ação. Outro fato curioso é que as crianças até 5 anos têm o DIREITO de não terem os seus sapatos sujos pelas areias molhadas. Como as crianças têm o DIREITO, os canoeiros têm a OBRIGAÇÃO (definida por eles em estatuto) de carregar essas crianças no colo, para embarque e desembarque.
Quando chegamos de volta o Dinho nos mostrou seu barco a motor “com proteção especial contra o sol, para que os turistas possam usufruir melhor o passeio”.
Como se não bastasse ele nos levou à sua casa que fica de frente para o furo e nos brindou com uma jarra de suco de graviola, feito pela sua esposa. Ele era a simplicidade em pessoa com a alegria dos inocentes quando nos mostrava os quadros e souvenir que ele tinha ganhado, tudo sobre o mar.
Voltamos para a pousada, onde Neguinho (o gerente) estava assando dois peixes que nos deixaram com água na boca. Nos ofereceram, mas resolvemos comer em Marudá. Pegamos uma carroça até o porto e, já cheios de saudades, pegamos o barco das 13:30h.
Não houve Maresia a volta foi mais tranqüila.
O maior de todos os problemas foi ter de deixar Algodoal, das areias brancas, da princesa misteriosa, talvez seja dela o véu que o vento faz com a areia na praia, das pessoas amigas, simples e hospitaleiras.
Vale voltar!
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