|
João Paulo Cândia Veiga
|
|
03-Jan-2010 |
27 de dezembro de 2009: UM DIA DE TRISTEZA EM ALGODOAL – E UMA INTERROGAÇÃO SOBRE O FUTURO DA ILHA DE MAIANDEUA
Eu e minha família costumamos viajar para o Pará, especialmente para a ilha de Maiandeua, no município de Maracanã. Foi amor a primeira vista por Algodoal. Já vieram minha filinha de 7 anos, meu filho de 17 que sempre me acompanha nas inúmeras viagens de passeio e trabalho para o local. Todos aprenderam amar Algodoal e aonde vamos enaltecemos a beleza local e a hospitalidade da comunidade local. Praias exuberantes, uma vegetação específica do litoral atlântico do Estado do Pará, ainda pouco conhecido pelos brasileiros de outras regiões. Uma comunidade maravilhosa, atenta às oportunidades trazidas pelos turistas que apontam um grande potencial para o desenvolvimento da ocupação sustentável dos recursos naturais locais. Algodoal tem perfil para se transformar no maior destino de turismo ecológico do Brasil em pouco tempo. Para isso é necessário a organização da comunidade local, em parceria com muito planejamento das autoridades municipais e estaduais.
Qual não foi minha surpresa ao constatar nesse final de ano de 2009 que há muito lixo acumulado em Algodoal. Há “desova” de lixo em locais estrategicamente escolhidos para não serem notados. Vi e fotografei, na companhia de meu filho, no caminho do rio para o Furo Velho que, ao desembarcar na ponte à esquerda, cerca de cem metros à frente, enquanto caminhava pela trilha me enganei, entrei à esquerda, quando o correto era ter seguido à direita. Pronto, foi uma explosão de indignação! À esquerda havia centenas de garrafas de bebidas alcoólicas, misturadas a latas de cerveja e refrigerante amontoadas à encosta de um pequeno morro. Foram “desovadas” ali para que não notassem o crime ali cometido. Nós só vimos o crime ambiental porque erramos o caminho da trilha. Até quando Algodoal poderá conviver com esse tipo de dano ao meio ambiente? Por quê, até hoje, não houve solução adequada para o lixo? É uma vergonha um lugar tão lindo, com tanto potencial para a geração de empregos e aumento de renda, com o desenvolvimento do turismo sustentável, não conseguir promover a coleta de lixo adequada, e nem fazer campanhas para que o turista e os locais respeitem o Meio Ambiente e saibam ganhar dinheiro com a preservação.
28 de Dezembro de 2009 – MAIS UM DIA DE PROFUNDA TRISTEZA
Hoje saí com meu filho para visitar a vila de Fortalezinha. Peguei a canoa no porto e atravessei até a entrada, a ponte destruída em 2008 continua só com os esqueletos sobre o mangue. A idéia era seguir até Camboinha, mas erramos o caminho e fomos diretos à Fortalezinha. No caminho, vimos uma nova comunidade aparecer do nada. Um punhado de famílias acabava de erguer suas casas, em uma área totalmente destruída pelo fogo. Tudo queimado, com a brasa das árvores ainda cuspindo fumaça. Como se trata de uma APA, pensei imediatamente que as famílias deveriam ter autorização para destruir a mata, colocar fogo em tudo. Conversei com alguns locais e me dei conta que eles nem sabiam que a ilha era uma área de proteção. Disseram que estavam ainda pensando em um nome para batizar o novo vilarejo, e que provavelmente se chamaria “Nova Nazaré”. Fiz várias fotos da devastação, e da extensa área desmatada para encaminhar às autoridades competentes para que alguma providência possa ser tomada. Mais um dia de tristeza na ilha de Maiandeua.
|