Empresária tenta expulsar pescadores de suas casas
O Liberal   
02-Nov-2007

A pequena Vila de Mocooca, na ilha de Maiandeua, pertencente ao município de Maracanã, a cerca de 200 quilômetros de Belém, está na iminência de ser palco de um confronto pela posse de terra. Moradores ameaçam se rebelar contra a empresária Odete Monteiro da Silva, acusada de ameaçá-los e também de promover a grilagem de terra. Em reunião com os pescadores ontem, a Gerência Regional de Patrimônio da União (GRPU) anunciou que dentro de 15 dias irá demarcar os terrenos.

De acordo com um dos dirigentes do Partido Verde (PV), Leandro Borges, morador da área, a empresária, que mora em Maracanã, há mais de dez anos vem pressionando os moradores a deixarem suas casas, alegando ser a proprietária do terreno.

Segundo ele, Odete estaria vendendo terrenos a R$ 500 para os moradores e a até R$ 2 mil para pessoas de fora da vila, contudo, sem apresentar nenhuma titulação oficial, apenas recibos em nome da empresa dela. 'Durante muito tempo ninguém questionou nada, até por falta de informação, mas já fizemos um levantamento na GRPU e fomos informados que o terreno pertence à União; ela não poderia expulsar os moradores assim. Além disso, os próprios cadastros e ITR que ela apresenta estão atrasados há muito tempo na GRPU', afirmou.

No início desta semana, segundo relato dos pescadores, a empresária, junto com vários trabalhadores, invadiu a área e cercou boa parte dos terrenos com arame farpado para impedir o acesso dos moradores às casas. 'Isso aqui está um barril de pólvora, os moradores estão revoltados, estão se armando. Não demora muito e vai acontecer um grande conflito por aqui. Este é um problema que vem se arrastando há anos e ninguém resolve, por isso, viemos hoje (ontem) na GRPU para cobrar providências, porque eles decidirão de quem é o terreno', reclamou Borges.

Segundo ele, nesta reunião com a gerente da GRPU em exercício, de prenome Margarida, ficou decidido que a instituição, dentro de 15 dias, deve formar uma comissão para vistoriar o local e demarcar o terreno. 'O difícil vai ser aguardar todo este tempo, mas vamos esperar e torcer para que nada aconteça', afirmou.

A briga pela posse da área já foi levada pelos moradores à Defensoria Pública da União, que através do defensor público Anginaldo Oliveira Vieira solicitou à GRPU informações sobre o domínio das terras. A vila possui cerca de 250 famílias que vivem basicamente da pesca. No documento, protocolado em 20 de janeiro, Anginaldo aponta que a empresária se utilizou da polícia para intimidar pescadores que residem na ilha. Eles também já ingressaram com uma denúncia no Ministério Público Federal contra Odete por grilagem e especulação de terras públicas.

Por outro lado, a própria empresária também já protocolou no Tribunal de Justiça do Estado (TJE) um pedido de reintegração de posse. No documento, ela alega que o terreno em questão pertence à família dela desde julho de 1955, mas que desde outubro de 2006, ela, como herdeira do terreno, vem lutando contra os invasores da área, que se apossaram de vários lotes e destruíram as plantações existentes. Da audiência, após ouvir as partes, o juiz Flávio Sanchez Leão concluiu que como se tratavam de terras da União, o caso era de competência da Justiça Federal, a qual deveria decidir o imbróglio. Entretanto, como até hoje ainda não houve nenhuma solução para o impasse, os ânimos continuam acirrados.

Morador de Mocooca há 30 anos, Marciel Rodrigues ficou indignado após ter sua casa invadida, sem nenhum mandado judicial. 'É um absurdo, por várias vezes ela já ameaçou a gente, dizendo que se não sairmos, vai mandar derrubar a minha casa. A gente precisa desta área para morar e trabalhar', disse o pescador.

A reportagem não conseguiu localizar o gerente da GRPU, Neuton Miranda, e nem Odete Monteiro da Silva para que ela desse sua versão a respeito do conflito.

Comentários
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m margarete dos santos teixeir  - filha de algodoal   |15/01/10
eu moro no rj sou filha de algodoal
nunca ouvir fl dessa senhora os verdadeiros donos sao os moradores
ela esta erradicima eu nao acho justo o que essa senhora tenta fazer
rio de janeiro 15 01 de2010
Luis Vanderlei  - É revoltante!   |03/12/07
Com certeza a revolta e indignação predomina neste caso. A senhora Odete deveria ter o mínimo de sensibilidade uma vez que está colocando em risco o futuro de centenas de famílias que sobrevivem exclusivamente da ilha e que lá moram há muitos anos. A repercussão será amplamente disseminada na sociedade paraense, no Brasil e com certeza na imprensa internacional, e a vitória final, com certeza, será daqueles que têm a consciência plena e pura de cidadania com igualdade de direitos aos menos favorecidos.

Fui à ilha de algodoal somente duas vezes na minha vida inteira, mas foi o suficiente para ter a certeza de que este paraíso deve ser eternizado para as futuras gerações, intacto, como a natureza nos deu.

Que este impasse tenha um final a favor dos moradores da ilha e que nos amadureça no sentido de estarmos prontos, unidos para um futuro onde poderemos encontrar "outras" Odetes pela vida afora.

Que Deus, na sua imensa bondade, repouse sua mão sobre esta senhora dando-lhe sabedoria e o senso crítico de justiça em benefício daqueles menos favorecidos.
Lauro Ramos   |14/11/07
Estou mobilizando uma turma para fazer pesquisa com moradores de Algodoal exatamente para ver se tentamos para essas explorações imobiliarias que ja tem na ilha.
Glauco Bezerra do blog: http:/  - A lentidão do estado provoca isso.   |14/11/07
O caso descrito na matéria acima, mostra a total ausência do poder público na ilha de Maiandeua.temos que cobrar providências.
Raynomundo  - Onde está o Poder Público?   |13/11/07
Nasci no Acre. Morei em Belém dos 6 aos 30 anos e tive a felicidade de conhecer Algodoal aos 16. Hoje tenho 49 e nunca esqueci aquele paraíso. Estou morando no Acre mas todo ano vou a Algodoal. Como trabalho na assistência social, uma das coisas que reparei aí foi a ausência do Poder Público, talvez a explicação, não só para a ousadia da tal empresária, como para a, me desculpem se estou errado!, apatia dos nativos. Uma gestão pública voltada para a cidadania, para a valorização do lugar, certamente promoveria a elevação da auto-estima dos ilhéus e consequente reação organizada diante de tal situação. Planejo visitá-los em julho/08 e espero ver dona Odete no lugar dela.
Emmanuel Lucenay  - Escandaloso   |09/11/07
...uma situaçao da Idade Média... lutas armadas pela posse de terra! Isso, pra mostrar o gigantismo do Brasil e as dificuldades do centralismo político do poder para resolver os problemas. Sou correspondente françês do Jornal da Fronteira em Oyapoque e vou transmitir essa noticia escandalosa.
Ademir Monteiro e Silva  - Assim não dá   |09/11/07
é lamentável, a falta equilibrio, ea usura descabida de alguns neste país. Os humildes habitantes de pacatos e apraziveis lugarejos vez por outra são afrontados pela ganancia e intolerancia de alguns, Algodoal não pode ser propriedade de ninguém, principalmente se levarmos em conta a lei de terras de Marinha.
LEMOS  - A VEDADE   |09/11/07
sou nativa da ilha o maior poblema que acho e que algodoal ou maiandeua eque apropria comunidade sao desunida e vez de temtarem se juntar e colocar algodoal no alto do turismo nao venden suas casa e vao cada vez mais pra dentro do manque devastando tudo ai quem compra os terreno com interece de fazer crecer economicament a ilha todo em respeitando a natureza eles nao gosto e amaoria descuti os poblemas de algodoal em beira de bar ou reunios secreta ai oque podemos contar com uma comunidade desunida fica dificil se algodoal esta assim hoje a propria culpa e tos proprios morradores que vivem como lei da selva e cada um por si desculpe se me expresso dessa forma mai e o que acho
Abraão Mascarenhas  - Esclarecimentos e encaminhamento   |08/11/07
É necessário que se faça uma dinstinção entre "terra de marinha" e "terra da marinha". No caso de Algodoal-Maiandeua a Ilha é propriedade da União (terra da Marinha - Mas não necessariamente da coorporação militar) - já Terra de Marinha é um termo Geomorfológico para definir os ambientes que são influenciados pelo Mar.

Uma outra questão bem mais polêmica refere-se ao processo de grilagem, que diga-se de passagem se faz presente em toda a Ilha - em outras comunidades de forma "velada" - seja pela especulação imobiliária (comércio de compra e venda).

Precisamo atacar outras variáveis - fontes irradiadoras desse processo (grilagem que é apenas a ponta do Iceberg. O processo acelerado de Casas de veraneos e casas de segundas residências, isso sim que deve ser combatido!! Se não vamos acabar absorvendo o discusso da classe média, que em sua maioria , quer "engolir" todas as suas forças esse pequeno mundo de nós...Ilha de Algodoal - que saudade de você.

Pesquisador extemporâneo!
luci lopes natural de marapani  - absurdo   |08/11/07
é um caso absurdo ter que ler isso, quando a gente a beleza que ha neste local e se depara com tamanha agressão anatureza e ao moradores deste local, quem tem razão isso não sei mas desde que eu era criança ja ouvia falar na lenda da princesa porque deixar tanta beleza ser marcada por conflitos dos quais ai nessa região niguém merece passar..
é revoltante pérceber que por tão pouco pessoas como esta senhora intimida moradores que precisam desta terra para viver e sendo ela um empresaria cd a conciencia ecologica, o que ela quer afinal..
destruir algi lindo ou fazer com este paraiso se torne em mais um palco de guerra por terras... cd a justiça dete estado que ainda não se manifetou e deu fim este impasse ridiculo!!!
Manoel Paixão  - SOLIDARIEDADE   |08/11/07
"...se a união faz a força..." é um momento mais que oportuno para nos unirmos ao nossos legítimos donos das terras, os nossos queridos pescadores, povo sofrido mais de GARRA e muita FÉ no DEUS DA JUSTIÇA.
Venho através deste veículo externar minha SOLIDARIEDADE e orações para que DE FATO a UNIÃO vença as ervas daninha que querem dominar o povo.
Francisco Zumba  - Sejamos justos!!   |07/11/07
Sabemos que existem injustiças , quanto a moradores qu já habitam o terreno a anos, mas, boa parte dessas terras foram vendidas e loteadas e revendidas , cercadas e reservadas para investimentos turísticos que irão beneficiar a todos na a´rea , por se tratar de atividade turística ecologicamente correta benéfica a todos.Também é do saber de todos que nativos vendem suas casas e terrenos e vão migrando para mais próximo do mangue e até para mais adentro da ilha se beneficiando desse dinheiro, e nem todos são pescadores e paupérrimos como se coloca , existe verdadeiros empreendedores que possuem vários barcos de travessia, comércio e tudo na ilha de Maiandeuá.Precisa-se conhecer bem para falar o que se pensa .Devemos proteger a ecologia e os nativos , mas sempre dentro da lei e da justiça coerente, se é que existe.
Mariana Cordeiro  - dono ninguém é   |07/11/07
É impressionante como a Ilha fica a marcê de pequenos vândalos. Não me conformo com esse tipo de pessoa que só quer botar noooooooo dos outros. Avise a essa ilustríssima senhora que os moradores, os pescadores da ilha, são pessoas dignas, de caráter e boa índole. Essa senhora que quer expulsar essas pessoas não é digna nem de pisar nesse chão. Eu, como ambientalista, vou brigar com ela até se for para expulsá-la daí. Junte toda essa comunidade e mostre a eles os valores dos donos da terra. Mostre que eles estão no chão que vivem e que vivem na comunidade há anos. Não deixem ninguém pisar nos nossos pescadores nem se acharem donos de nada pois ser dono ninguém o é, mas que já se justifica pelo simples fato de morarem há anos no lugar.
Maria Izane  - Fico triste   |07/11/07
Fico triste com esta notícia pois não tenho palavras, ao mesmo tempo que fico triste, fico também muito revoltada, pois esses pescadores que não têm para onde ir, que vivem ali e sobrevivem através da pesca, e de onde tiram o sustento de suas famílias. Essas pessoas que querem fazer isso não têm coração, não têm dignidade, não têm consciência, pois se tivessem um pingo de dignidade nãoo fariam isso.
Raimunda Gomes  - Estou preocupada   |07/11/07
Fico muita revoltada em saber dessas coisas absurdas. Uma pessoa usa seu cargo para tirar vantagem para si próprio. Agora, para quem podemos apelar para que isso não venha a acontecer? São pessoas totalmente desiformadas, são pessoas ingênuas, boas de coração. Minha vó nasceu em Algodoal e até hoje meus parente moram na ilha. Fico indignada. Gostaria muito de ajuda. Meu sangue que esta ali. Tenho o maior orgulho de ser filha de pescador.
Valquíria  - O poder é nojento!!   |06/11/07
Estive nessa ilha e pasei dias maravilhosos e pude observar a gente humilde e educada que nela moram. A situação exige urgência. Façam veicular pelos jornais antes que seja tarde.
Anderson Cruz  - Vamos trabalhar...   |06/11/07
Estou encaminhando este problema para autoridades aqui em Brasília. Precisamos nos unir para resolver de forma favorável aos moradores de Algodoal.
José Augusto  - Mesma regra   |06/11/07
Vejo que os anos passaram e ainda continua esta regra que é julgada pela oligarquia: eu falo você obedece. Sabes que isto me dá uma angústia muito grande no peito, pois quando estive pela 1ª vez na ilha, aos 9 anos, pedi a DEUS que um dia gostaria de proteger este pedacinho do CÉU e seus ANJOS.
Amaury  - Fazer barulho   |06/11/07
Fico triste por saber que até aí a grilagem de terra já chegou, são as pessoas que tem o poder querendo conseguir seus objetivos usando a influência política e o poder para barganhar as coisas, só visando o lucro. O mais fraco sempre leva a pior. É bom envolver as autoridades, em todos os seus níveis, tanto Federal, quanto Estadual e Municipal e fazer movimento, pois só assim vocês vão conseguir seus direitos.
Julio Modesto  - Repúdio ao despreso aos mais necessitado   |06/11/07
agora que vila começou a crescer com o turismo ela resolveu se apossar da terra que sempre pertenceu a união e aos moradores que sobrevivem daquelas terras, fasendo suas roças e plantando suas verduras e etc. A Srª a muito tem seu patrimônio em Maracanã falindo agora quer usar a terra dos moradores de Mocoóca para levantar o seu patrimônio,


gostaria de deixar meu repúdio a essa situação e pedir providencias de nossas autoridades.

trata-se de pessoas hulmildes que não tem do que sobrevir, a não ser da pesca e da agricultura.

cadê a nossas autoridades ?

por favor olhe para o povo carente de nosso estado.

não deixe eles, desprezados.
André Luis  - Cadeia para grileiros   |05/11/07
Nossa! A que pontos chegamos. Isso é grilagem no seu mais baixo nível. A ilha é propriedade da Marinha, com direito de uso de seus moradores e essa mulher vem falar de propriedade desde 1955?

Cadê o GRPU? Neuton Miranda anda cuidando de quê mesmo?! Estamos muito mal de gestores. Não se trata de incompetência (antes fosse só isso!). Trata-se dos reflexos de um quadrilha que se instalou no Governo Federal e saqueia os bens e direitos públicos como se fosses seus donos. Olha a Petrobrás, a ANAC e aqui, pertinho de nós, a GRPU-PA. Se esta gerência não existisse, faria alguma falta à população? A resposta é não! A não ser para aqueles que recebem gordos salários e nada fazem. Que vergonha!
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